30/11/2018

189 mulheres e um privilégio

Um enorme passado pela frente

Uma lei do século 19 (sim, do século 19!) garante a 189 mulheres um privilégio que custa R$ 36 milhões por ano aos cofres públicos. Elas são esposas ou filhas de funcionários já falecidos do Judiciário – especialmente do alto escalão -, que recebem pensões de até R$ 79 mil por mês. O privilégio, que tem nome pomposo – Montepio Obrigatório dos Empregados do Ministério da Fazenda – foi criado em 1890. Só em 2012 (ou seja, 122 anos depois) que a Advocacia Geral da União deu parecer pedindo o fim do benefício. E que fim teve a história? Ganho de causa para várias das herdeiras que acionaram a Justiça pedindo a manutenção do previlégio.

Quer saber mais?
O Judiciário gasta mais de R$ 85 milhões por mês com pensões

Lei e ordem para quem?

Foi em julho do ano passado que o presidente Michel Temer assinou um decreto de  Garantia da Lei e da Ordem (GLO) autorizando a atuação das Forças Armadas na segurança pública do Rio de Janeiro. Não foi a primeira vez que um decreto do tipo foi assinado por um presidente da república. Pelo contrário: desde 2010, o mecanismo que dá aos militares a faculdade de atuar com poder de polícia foi utilizado quase cem vezes. E qual foi o efeito colateral disso? Segundo a agência Pública, pelo menos 32 mortes de civis inocentes. Foram casos como o do camelô Diego Augusto Roger Ferreira, morto por um tiro disparado por um soldado de 21 anos, quando andava de moto, sem capacete, numa rua próxima à sua casa.

Quer saber mais?
A Pública fez uma página juntando seis histórias de vítimas de decretos de GLO

Rescaldo eleitoral

A radicalização da disputa eleitoral das eleições deste ano ultrapassou a arena política e se transformou em violência. A Bahia, por exemplo, protagonizou dois casos absurdos. Em Salvador, o mestre de capoeira Moa do Katendê foi morto a facadas, num bar, apenas por discordar de um eleitor de Jair Bolsonaro. A 90 quilômetros dali, na pequena cidade de Muniz Ferreira, um cachorro chamado Marley foi assassinado com quatro tiros ao latir para uma carreata de apoiadores do capitão reformado. A agência Pública encontrou registros de 65 agressões motivadas por desavenças políticas, ocorridas entre os dias 10 e 30 de outubro (período do segundo turno, em que a violência foi mais acentuada). Os apoiadores de Jair Bolsonaro foram responsáveis por 46 dessas agressões, o que pode ser explicado pelo tom do seu discurso ao longo da campanha.

Quer saber mais?
Confira a reportagem da Pública sobre a escalada de violência nas eleições

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais. Funcionou entre março e agosto de 2018. Voltará em novembro.