07/01/2019

2019, o ano que não acabou

Retro-Perspectiva 2019

Achou que MemeNews ia te deixar sem uma retrospectiva de 2018?

Achou certo, querido leitor.

Mas para compensar, te presenteamos com um furo de reportagem – furo esse tão exclusivo que as demais publicações levarão um ano para dar conta do mesmo conteúdo.

Bem vindos à Retro-Perspectiva MemeNews – a única retrospectiva que olha pra frente, que fala do que virá, e que ainda por cima dá um belo trava línguas.

Afinal de contas, 2019 só teve uma semana, mas parece que já foi um ano. Ano esse em que tivemos: chanceler fundamentalista prometendo romper com a lógica brasileira da diplomacia, ministra se dizendo “terrivelmente cristã” num estado laico, presidente anunciando a pretensão de acabar com a Justiça do Trabalho.

Houve mais. No ano de 2019, o novo presidente, Jair Bolsonaro, assinou uma Medida Provisória que esvaziou a Fundação Nacional do Índio, passando para o Ministério da Agricultura o dever de demarcar as terras indígenas. O detalhe é que o Ministério da Agricultura é comandado pela líder ruralista Teresa Cristina, e os ruralistas, não raro, brigam por terras pertencentes aos povos indígenas. Exemplo concreto: já no dia 3 de janeiro, madeireiros invadiram a terra Arara, no Pará.

2019 foi também o ano em que Jair Bolsonaro – aquele que havia prometido acabar com todo ativismo – assinou uma medida provisória prevendo o “monitoramento” das organizações não governamentais – o que o diretor do Greenpece no Brasil descreveu como “intimidação”. O Brasil tem hoje mais de 800 mil ONGs que advogam em favor de mulheres, gays, trans, negros, trabalhadores sem teto, crianças, animais, vítimas de violência urbana, e até surdos – grupo defendido pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro. “Monitorar” as ONGs é “monitorar” os direitos de milhões de cidadãos.

Para além desses fatos, 2019 foi marcado pela extinção dos ministérios da Cultura, dos Esportes e do Trabalho, pela promessa de ampla flexibilização do porte de armas (mesmo que isso tenha que ser feito por meio de um decreto presidencial), e pelo projeto de mudar a embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém (ainda que isso venha a gerar um desgaste econômico e diplomático com os países árabes).

O ano foi marcado, por fim, pela publicação do inventário contendo os novos “inimigos da pátria”. Na política externa, um tal de globalismo. Na família, a liberdade de gênero. No governo, os funcionários comissionados (eliminados na “despetização” de Onyx Lorenzoni). Na sala de aula, o método educacional cunhado por Paulo Freire – que nada mais é do que a tentativa de aproximar a escola da realidade social dos alunos.

Por essas e outras que é preciso estar atento e forte para o que virá daqui em diante. Jair Bolsonaro foi eleito de forma democrática, e começa seu governo contando com o otimismo de 65% da população. Essa chancela pode e deve ser revertida em melhorias econômicas e sociais, mas não pode ser transformada em pautas que desrespeitam os vários direitos conquistados nas últimas décadas.

Temos uma importante missão. 2019 parece que foi ontem – e foi. Mas também será hoje, amanhã e nas próximas 51 semanas. Os políticos governam, as marmotas fiscalizam. Roedores do mundo todo, uni-vos.

Quer se manifestar?
MemeNews elencou o Twitter de sete ministros de áreas ligadas aos direitos humanos, que merecem ser acompanhados de perto durante o governo Bolsonaro

Tereza Cristina
https://twitter.com/TerezaCrisMS
Ernesto Araújo
https://twitter.com/ernestofaraujo
Ricardo Vélez Rodríguez
https://twitter.com/ricardovelez
Ricardo Salles
https://twitter.com/rsallesmma
Osmar Terra
https://twitter.com/OsmarTerra
Damares Alves e Sergio Moro não têm perfil na rede, mas seus ministérios têm
https://twitter.com/DHumanosBrasil
https://twitter.com/JusticaGovBR

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.