23/07/2018

Sabe com quem tá falando?

Adevogadas

Em uma decisão no mínimo estranha, a Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo negou o pedido de um escritório que tentou registrar o nome “Sociedade de Advogadas e Advogados”. Alegou que “o plural de advogado na língua portuguesa é advogados” (a regra se aplica a exemplos como esse, em que há os dois gêneros na mesma frase). A tentativa de registro coincide com uma campanha do movimento Advogadas do Brasil para que o termo OAB passe a significar Ordem de Advocacia do Brasil. “Se podemos e devemos pagar anuidade, podemos e devemos ter representatividade”, disse a advogada Valéria Pelá.

Quer saber mais?
Conheça o movimento “Elas Pedem Vista”

Plano infalível

A Agência Nacional de Saúde agendou duas audiências públicas no Rio de Janeiro, a partir de amanhã, para discutir o reajuste dos planos privados de saúde – que são utilizados por 47 milhões de pessoas no país. As audiências ocorrem uma semana após a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, suspender temporariamente uma resolução da ANS que obrigaria os clientes a pagarem até 40% dos custos de atendimento nos planos de co-participação (além da mensalidade). Como toda agência reguladora, a ANS deveria defender o interesse público. Mas um levantamento publicado pelo jornal O Globo neste fim de semana mostrou que 32 de 40 cargos de agências federais são ocupados por indicações políticas. A ANS não foge à regra. Seu mais novo diretor, Rogério Scarabel Barbosa, é sócio de um escritório de advocacia que representa os planos de saúde.

Quer saber mais?
O Idec te ensina o que fazer caso o reajuste do seu plano de saúde seja abusivo

Quer participar da audiência?
As inscrições estão encerradas, mas a ANS deixa um email para contato

Quartel ou escola?

O Brasil tem 13 colégios militares, destinadas aos filhos dos oficiais. Até aí tudo bem. O problema é que nos últimos cinco anos aumentou em 212% o número de escolas estaduais geridas pela Polícia Militar. Eram 39, hoje são 122 – a maior parte no Norte e Centro-Oeste, segundo reportagem publicada pela revista Época. A transferência da gestão escolar de civis para militares se dá por meio de decisões estaduais ou municipais. Só em Goiás, 53 mil alunos de 46 escolas estão sob administração da PM. Nelas, meninas só podem usar o cabelo preso em rabo de cavalo; meninos não podem ter barba ou bigode. A participação em manifestações públicas pode levar à expulsão. O Ministério da Educação tem silenciado.

Quer saber mais?
Leia reportagem no Le Monde Diplomatique sobre o avanço das escolas militares no Brasil

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