20/11/2018

É Zumbi quem manda

Bem cotado

A política de cotas raciais para vagas no ensino superior começou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 2003. No ano seguinte, foi adotada também pela Universidade Nacional de Brasília. Em 2013, com a sanção da Lei de Cotas, passou a ser obrigatória em todas os institutos federais de educação. O resultado começa a aparecer agora, com o número de estudantes pretos e pardos com graduação universitária indo de 2,2% para 9,3% (entre os brancos, 22% são graduados). Consequências: mais diversidade nas universidades, e a formação de uma geração de intelectuais negros. A Folha fez uma pesquisa com alunos cotistas, e constatou que seu desempenho é próximo dos não-cotistas. E ainda assim, há quem defenda voltar ao Brasil de 40, 50 anos atrás

Quer saber mais?

A Veja discutiu os principais pontos do sistema de cotas

Censo quilombola

Se ocorrer de acordo com o planejado, o Censo Demográfico de 2020 vai incluir dados sobre comunidades quilombolas no seu questionário – o que pode ser utilizado para demarcar e titular terras remanescentes de quilombos estabelecidos durante a escravidão. Hoje, menos de 7% das terras reconhecidas pelo Incra – o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – como pertencentes a povos quilombolas estão regularizadas. A demarcação de terras de quilombolas é garantida por um decreto presidencial de 2003, que o STF julgou constitucional em fevereiro deste ano.

Quer saber mais?

O Nexo explica como vai funcionar o recenseamento

Quer saber quais são os quilombos do seu estado?

A Fundação Cultural Palmares fez um mapa dos 2.600 quilombos já registrados

Lista amiga

É plágio. Plágio assumido. Plágio-moleque, plágio-arte. No começo do mês a jornalista Cecília Oliveira publicou uma reportagem no The Intercept Brasil listando 138 pessoas negras que são especialistas em suas áreas de atuação. E o que o MemeNews decidiu fazer? A mesma coisa (só que em menor escala). Eis, nesse Dia da Consciência Negra, uma lista de doze pessoas negras para os leitores seguirem nas redes. A própria Cecília, idealizadora do Fogo Cruzado, uma plataforma digital que registra a incidência de tiroteios no Rio de Janeiro, está na lista.

Quer saber quem são?

Caio César, pesquisador
Cecília Olliveira, jornalista
Dani Balbi, transativista
Gabi Oliveira, youtuber
Ingrid Silva, bailarina
Jeff Nascimento, advogado
Joice Berth, arquiteta
Luciana Bento, blogueira
Maicol William, jornalista
Nátaly Neri, influenciadora
Oga Mendonça, designer
Rodrigo França, ator 

A luta não para

Apesar de hoje ser um dia comemorativo, a realidade para a população negra continua sendo dura. Segundo o Ipea, quase um terço das pessoas assassinadas no Brasil são pretas. Entre os anos de 2006 e 2016, o número de homicídios de pessoas negras aumentou 23,1%, enquanto a de pessoas não negras recuou 6,8%. Ainda há um estudo que afirma que a cada 23 minutos um jovem negro morre no Brasil. O risco de morte violenta de uma mulher é duas vezes maior se ela for negra. O quadro de violência ao qual as pessoas negras são submetidas fez surgir um termo para explicar esse sistema: genocídio da juventude negra, uma expressão muito dura, mas que torna a discussão obrigatória, principalmente num dia como o de hoje.

Quer saber mais?

Confira o Atlas da Violência do Ipea

Quer se manifestar?

Jovem Negro Vivo! é uma campanha da Anistia Internacional em defesa da juventude negra

Quer uma razão para ficar otimista?

O número de deputados negros eleitos em 2018 para a Câmara cresceu 5%

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais. Funcionou entre março e agosto de 2018. Voltará em novembro.