08/06/2018

Especial de sexta: Fake news

Inteligência (ou burrice) artificial

No início do mês passado, o Facebook contratou duas agências de checagem – a Lupa e a Aos Fatos – para combater a disseminação de notícias falsas durante o período eleitoral. A partir de agora, quem suspeitar de uma fake news poderá fazer uma denuncia ao próprio Facebook, através de um botão disponível no feed; se comprovada como falsa, a postagem perderá o poder de alcance. A novidade não agradou gregos e troianos. O MBL, por exemplo, que tem relação próxima com sites de notícias falsas, orquestrou uma reação violenta (e em grande parte automatizada) aos funcionários das duas agências. A Fundação Getúlio Vargas descobriu que 23,7% dos 45 mil tuítes publicados sobre o tema nos dois dias seguintes ao anúncio haviam sido compartilhados por robôs eletrônicos, os bots.

Quer denunciar uma notícia falsa?
A Lupa explica como fazer

Quer saber mais?
Leia a nota abaixo

Blade Runner, o caçador de bots

Como saber se a conta de uma rede social é verdadeira ou falsa? Se é operada por uma pessoa de carne e osso, ou por um bot? O Instituto de Tecnologia e Sociedade e o Instituto Equidade & Tecnologia lançaram, recentemente, o Pegabot, um robô desenhado para pegar robôs. O funcionamento é simples. Primeiro, o usuário tem que suspeitar que uma conta está espalhando notícias falsas. Depois, basta ele pegar o endereço da conta e digitá-la no site do Pegabot. Uma nota será atribuída a ela, com base nas postagens, atestando a probabilidade de ser falsa. Por enquanto, a ferramenta opera apenas no Twitter, mas há um projeto de fazê-la chegar a outras redes sociais – o que pode ser bastante útil durante o período eleitoral.

Quer saber mais?
O Estadão conta que o Facebook caça 6,5 milhões de contas falsas a cada dia

O drama do Whatsapp

O WhatsApp uniu a família brasileira em torno de fotos de bebês, mensagens de bom dia e… notícias falsas. Uma pesquisa recente com 2.520 pessoas, realizada pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, identificou que os grupos de família são o principal vetor da propagação de notícias falsas. O problema: no Twitter e no Facebook, onde o noticiário falso também circula a torto e a direito, o conteúdo é público – e portanto, verificável. Já no WhastApp, ele se propaga em grupos fechados. Na semana passada, quando o país parou com a greve dos caminhoneiros, os grupos da rede social foram responsáveis por disseminar grande parte das informações que nortearam o movimento.

Quer saber mais?
Leia reportagem do Nexo sobre fake news no WhatsApp

Ou esta reportagem da BBC Brasil sobre o uso do WhatsApp durante a greve dos caminhoneiros

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, através de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais. Será publicada entre março e agosto de 2018.