22/06/2018

Especial de sexta: 100 dias sem Marielle

Crime sem castigo

Hoje faz 100 dias que a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram executados no Rio de Janeiro. A Polícia Civil e a Promotoria do Estado ainda não encontraram os culpados. Sabe-se que a arma utilizada foi uma submetralhadora extraviada do Exército em 2011. Sabe-se, também, que o crime pode ter motivação política (por ora, a suspeita recai sobre um policial militar – Orlando Oliveira de Araújo -, que estava preso em Bangu, e sobre um vereador – Marcello Siciliano -, do PHS carioca). A Anistia Internacional divulgou uma nota pública cobrando explicações. O policial militar foi transferido, nesta semana, para um presídio no Rio Grande do Norte.

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Ainda é crime, e com castigo

Marielle apresentou 16 projetos de lei durante o breve período em que trabalhou na Câmara dos Vereadores. O primeiro previa um tratamento digno para mulheres que conquistam na Justiça o direito de abortar. Ela lembrava que apenas uma maternidade municipal oferecia o procedimento, e que por falta de conhecimento, mulheres acabavam morrendo em abortos clandestinos que poderiam ser evitados. A luta dela ganha hoje um novo capítulo. Nesta tarde, vão ocorrer atos pela legalização do aborto nas cidades no Rio de Janeiro, em São Paulo e mais quatro capitais. A mobilização decorre da aprovação, recente, da descriminalização do aborto na Câmara dos Deputados da Argentina. No Brasil, o tema será debatido no Supremo entre os dias 3 e 6 de agosto.

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A Avaaz tem uma petição pela descriminalização do aborto no Brasil

Não é só crime, é barbárie

Marielle era cria da Maré, um complexo de favelas em que moram 130 mil pessoas, com um dos IDHs mais baixos do Rio de Janeiro, onde ocorreu uma troca de tiros a cada três dias em 2018. A barbárie por lá é constante. Nesta semana foram mortas sete pessoas, entre elas o menino Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, baleado a caminho da escola, durante uma operação policial que teve direito a rasante de helicóptero sobre as casas (Marcos Vinícius chegou ao hospital consciente, dizendo que o tiro partira de uma viatura blindada). O colunista Bernardo Mello Franco, do jornal O Globo, comparou a o caso às cenas do guerra do filme Apocalypse Now. Já a Defensoria Pública do Rio entrou na Justiça com um pedido liminar para impedir o uso de aeronaves em operações policiais.

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O Redes da Maré publicou um vídeo do helicóptero da polícia sobre as casas

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MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, através de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais. Será publicada entre março e agosto de 2018.