06/12/2018

Nem Freud explica

Vanguarda do atraso

Millôr Fernandes dizia que o Brasil tinha um grande passado pela frente. O passado mais recente, por assim dizer, foi resgatado na semana passada, quando 226 deputados e quatro senadores criaram a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Nova Política Nacional de Saúde Mental e da Assistência Psiquiátrica. E o que a tal frente (que tem quase mais palavras que o nome completo de Dom Pedro I) propõe? A volta dos manicômios, baseado em críticas a uma suposta incapacidade dos Centros de Atenção Psicossocial de atender o paciente em tempo integral (os parlamentares ignoram que os Caps são elogiados justamente por oferecer um tratamento mais humano, sem internação, que tenta estimular a autonomia do paciente para integrá-lo à sociedade). O movimento é preocupante, visto que o futuro ministro da Saúde tem falado em rever a atual política de saúde mental.  

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Conheça as bandeiras da luta antimanicomial

O Amanhã é hoje

A temperatura do planeta, em alta desde o século retrasado, deve subir 1,5º C nos próximos dez anos anos. Apesar de afetar todas as regiões do globo, o aumento costuma ser mais cruel com os mais pobres, que representam 89% das vítimas das catástrofes naturais.  O documentário O Amanhã é hoje, lançado nesta semana, conta a história de seis brasileiros que tiveram a vida alterada pelas mudanças climáticas. São casos como a da pequena agricultora Maria José Pereira da Rocha, que enfrentou uma seca de seis anos. “Foi a pior seca que eu já vivi”, ela conta, no filme. “Aqui na minha terra as plantas não resistiram. Não tinha o que dar para alimentar os animais e ninguém queria os bichos nem de graça. Vi muitas ovelhas morrerem.” O filme é uma iniciativa de sete entidades civis, que incluem o Greenpeace, o Instituto Socioambiental e a Conectas Direitos Humanos. Vem em momento importante, em que gente graúda, no Brasil, tem aventado a possibilidade de o país deixar o acordo de Paris.

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Assista ao filme O Amanhã é hoje – o drama de brasileiros impactados pelas mudanças climáticas

Deputado: profissão de risco

O parlamentar Jean Wyllys, do  PSOL do Rio de Janeiro, sofre ameaças desde 2011, quando eleito pela primeira vez para o cargo de deputado federal. A situação, que sempre foi grave, piorou no começo deste ano, com o assassinato da vereadora Marielle Franco, sua colega de partido e de militância nas causas da população LGBT. Desde então, Wyllys se viu obrigado a andar de carro blindado e acompanhado de agentes da Polícia Legislativa. Preocupada, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos publicou um comunicado, no mês passado, exigindo que o Estado brasileiro garanta a segurança do deputado e investigue as ameaças de morte que ele recebe – que, segundo Wyllys, não têm sido apuradas com rigor pela Polícia Federal.

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O Brasil é um dos países mais perigosos do mundo para defensores de direitos humanos

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais. Funcionou entre março e agosto de 2018. Voltará em novembro.