29/11/2018

O Paradoxo de Bolsonarus

O quadrado dos catetos

Em 2018 o Brasil estabeleceu um problema matemático conhecido como Paradoxo de Bolsonarus. A equação serve para explicar o alívio sentido, pela média dos cidadãos, ao saber que um ministro do governo Temer fará parte da nova equipe ministerial. Foi assim ontem, quando o presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou que o deputado federal Osmar Terra, do MDB gaúcho, será o seu ministro da Cidadania, tirando do páreo o pastor Marcos Feliciano e um cantor romântico defendido por Silas Malafaia. Terra foi ministro do Desenvolvimento Social do governo Temer. Agora, vai tocar uma pasta que vai incluir a  Cultura, os Esportes e o Desenvolvimento Social, que gerencia o Bolsa Família. Além disso, Terra vai herdar parte da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas, tema sobre o qual pautou sua trajetória no Legislativo: ele é contrário a legalizar ou descriminalizar o uso de drogas, e chegou a apresentar um projeto de lei que permite a internação compulsória de dependentes químicos. Sabe o projeto que legaliza o consumo medicinal da planta, aprovado ontem em uma comissão do Senado? O novo ministro também é contra. Ainda assim, parece ser um nome melhor do que as demais opções.

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O G1 fez um breve perfil do futuro ministro

Medicina medieval

Apesar de ser ortopedista, o futuro ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta parece ser adepto daquela lógica pouco ortodoxa de que se o dedo está ruim, mais vale cortar o braço. Nesta semana, Mandetta questionou os efeitos das campanhas de prevenção contra a aids. Para justificar, estabeleceu uma estranha relação de causa e efeito, alegando que a popularização do tratamento para pessoas infectadas é responsável pelo aumento do número de casos, porque “a aids passou a ser, na cabeça dessa geração, uma doença com a qual é possível conviver”. Há um receio de que o novo governo diminua a rede de tratamento oferecida para pessoas com o vírus, justamente agora que o número de casos detectados tem diminuído.

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Confira essa reportagem sobre a epidemia de aids no Brasil

Caso de família

História rocambolesca. Uma lei de 1980 dá ao presidente, ou ao seu ministro da Justiça, o poder de expulsar do país um estrangeiro que tenha atentado “contra os interesses nacionais”.  Só que há um artigo, dentro da lei, que abre exceção para estrangeiros com filhos nascidos no Brasil – desde que o nascimento tenha ocorrido antes do fato motivador da expulsão. Mas e se o filho tiver nascido depois? O STF está julgando o caso do tanzaniano Edd Abadallah Mohamed, que foi expulso do país depois de cumprir pena por uso de documentos falsos. Acontece que Mohamed teve um filho no período entre o fim da pena e a expulsão. O julgamento não terminou, mas já soma sete votos a favor do réu. O relator, Marco Aurélio Mello, procurou defender o bem estar da criança.

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Entenda os critérios para expulsão de um estrangeiro do Brasil

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Escreva ao ministro Gilmar Mendes, que pediu vistas, para que ele libere o caso para julgamento

audienciasgilmarmendes@stf.jus.br

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