26/11/2018

Olavo Boys

No caso

Você conhece o Olavo de Carvalho?

O Olavo de Carvalho, aquele que emplacou dois ministros atrás do armário.

Um deles é o diplomata Ernesto Araújo, que criticou um tal de “globalismo”, chamou a segunda maior economia do mundo de “China maoísta” e ainda afirmou que só o presidente americano, Donald Trump, será capaz de “salvar o ocidente”.

No caso, o Ernesto Araújo será o nosso ministro das Relações Exteriores durante o governo Bolsonaro.

O outro é o filósofo Ricardo Vélez Rodríguez, que escreveu a seguinte frase, em seu blog, semanas atrás: “[O Ministério da Educação tornou] os brasileiros reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de ‘revolução cultural gramsciana’, com toda a coorte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero, a dialética do ‘nós contra eles’ e uma reescrita da história em função dos interesses dos denominados ‘intelectuais orgânicos’, destinada a desmontar os valores tradicionais da nossa sociedade, no que tange à preservação da vida, da família, da religião, da cidadania, em soma, do patriotismo.”

No caso, fica evidente que o Ricardo Vélez Rodríguez não é muito dado ao uso do ponto final (ah, e ele vai ser o nosso ministro da Educação).

No texto, chamado “Um roteiro para o MEC”, Vélez Rodríguez avisou que pretende combater a “educação de gênero” (claro), e a “doutrinação de índole cientificista” (“O que seria este cientificismo? Ensinar sobre seleção natural? Aquecimento global?”, perguntou o escritor Antonio Prata).

Cereja do bolo: o futuro ministro da Educação ainda escreveu que o Exame Nacional de Ensino Médio, o Enem, que serve para colocar milhares de pessoas nas universidades, tem sido usado “mais como instrumento de ideologização do que como meio sensato para auferir a capacitação dos jovens no sistema de ensino.”

A partir de 1 de janeiro, Araújo e Rodríguez serão ministros de duas pastas muito importantes do governo federal. À frente do Itamaraty, Araújo pode comprometer a presença do Brasil na agenda internacional do meio ambiente, onde o país é líder nato (ele já disse considerar o aquecimento global uma “ideologia da esquerda”). À frente do MEC, Rodríguez pode dar respaldo aos vários projetos que tramitam, no Congresso, nas assembleias estaduais e nas câmaras municipais para proibir que professores tenham qualquer posicionamento político ou ideológico em sala de aula.

No caso, fiquemos atentos a esses casos.

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