23/11/2018

Prensa na imprensa

Jornalismo: profissão de risco

De janeiro a outubro deste ano, ao menos 153 jornalistas sofreram algum tipo de agressão com motivação política, segundo levantamento da Abraji. No Paraná, um repórter do Globo foi atingido com um soco na orelha por um segurança da caravana de Lula. Em São Paulo, uma jornalista da Rádio Bandeirantes tomou uma cabeçada de apoiadores do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Em Pernambuco, houve um caso mais noticiado: uma repórter do portal NE10 sofreu ameaças de estupro, também de eleitores de Bolsonaro, apenas por estar usando o crachá de profissioal enquanto votava. Cereja do bolo azedo: uma empresa de games lançou um jogo em que o usuário só passa de determinada fase se matar um jornalista.

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O Brasil é o 10º país no ranking da impunidade dos assassinatos de jornalistas

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Tanto no pessoal quanto no virtual

Houve também os casos de linchamento virtual – 30 deles iniciados pelo Movimento Brasil Livre -, em que jornalistas tiveram suas fotos e perfis compartilhados nas redes sociais, de forma a incitar ondas de ofensa. O caso mais notório foi o da repórter especial Patrícia Campos Mello, da Folha, que chegou a ter sua conta de WhatsApp invadida após denunciar um esquema de propaganda ilegal na campanha de Bolsonaro (que aproveitou para fazer um discurso nada republicano contra o jornal). Em função disso, a Abraji lançou uma cartilha com dicas para o jornalista manter sua privacidade, de forma a prever possíveis riscos nas redes. A cartilha também dá orientações para casos de assédio virtual.

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Baixe a cartilha “Como lidar com assédio contra jornalistas nas redes”

É censura que chama

Nas eleições de 2018, políticos acionaram a Justiça 503 vezes pedindo que alguma informação fosse ocultada da internet. Em 218 dos casos – quase metade -, o pedido foi acatado. O campeão absoluto do uso desse recurso, com 31 pedidos, foi o presidente eleito Jair Bolsonaro, que, entre outros casos, tentou retirar do ar uma reportagem sobre uma funcionária fantasma, que apesar de lotada em seu gabinete em Brasília, trabalha vendendo açaí em Angra dos Reis. Já entre os partidos, foi o PSDB que mais tentou tirar do ar informações, com 41 pedidos. Os dados são do Ctrl+X, projeto da Abraji que monitora tentativas judiciais de restringir informações na internet.

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Navegue pelo infográfico do Ctrl+X

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais. Funcionou entre março e agosto de 2018. Voltará em novembro.