09/01/2019

Ricardo – Uma Transa Amazônica

Raposa no galinheiro

O Pará é o estado com o maior índice de desmatamento da Amazônia, segundo o Imazon. É também o estado em que um delegado federal, Everaldo Eguchi, é cotado para ocupar a superintendência local do Ibama. Pois bem, dias atrás Eguchi fez questão de avisar a um grupo de interessados que eles poderão contar com seu apoio caso ele assuma o cargo. Os interessados, no caso, são empresários do agronegócio. Em um áudio espalhado em grupos de WhatsApp, o delegado diz que “o Ibama vai agir de acordo com a lei, mas a lei pode ser interpretada para prejudicar, ou para não prejudicar o produtor. E nós vamos utilizar a lei para ser usada de forma que não prejudique a produção”. Parece ser uma boa forma de conseguir o cargo, já que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem defendido abrir ferrovias em áreas de preservação.

Quer saber mais?
No Pará o desmatamento da Amazônia quadruplicou em 2018

Quer opinar sobre o caso?
Fale com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles
https://twitter.com/rsallesmma

Bravata internacional

O Brasil saiu ontem do Pacto Global de Migração da ONU. O acordo, que não é vinculante – ou seja, não tem força de lei – foi assinado por 164 países e prevê um conjunto de orientações para o tratamento de imigrantes, sem obrigar nenhum país a receber mais ou menos estrangeiros. O Brasil passa por uma crise pontual de migração de venezuelanos, mas mesmo assim o país tem um fluxo migratório negativo. O acordo poderia beneficiar de alguma forma os mais de 1,6 milhão de brasileiros que vivem no exterior, mas em nome da “soberania nacional”, Bolsonaro resolveu seguir o exemplo de Donald Trump, que não assinou o tratado. Justificou assim pelo Twitter: “O Brasil é soberano para decidir se aceita ou não migrantes. Quem porventura vier para cá deverá estar sujeito às nossas leis, regras e costumes”. Detalhe (que não tem nada de detalhe): o pacto não obriga os países a receber mais imigrantes, nem autoriza os estrangeiros a desrespeitar as leis.

Quer se manifestar?
Será que o presidente sabia que o Pacto Global para Migração era não vinculante? Pergunte para ele
https://twitter.com/jairbolsonaro

300 dias

O governo Temer acabou, e a promessa do seu ministro da Segurança Pública, Raul Jugmann, de solucionar o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes em 100 dias não foi cumprida. Agora, passados 300 dias do crime, há um novo governo que parece não ter interesse em desvendar o caso. É só lembrar que nenhum dos Bolsonaro manifestou solidariedade na ocasião, e Jair teria uma opinião “polêmica demais” sobre o crime, segundo um de seus assessores. Mais: ao que parece, homenagear Marielle é motivo para ser desligado de um cargo no governo, mesmo que o autor da homenagem se diga de direita e a favor da redução da maioridade penal. Como bem destacaram as ativistas Antonia Pellegrino e Manoela Miklos, “até na hora da morte, eles têm lado, ideologia. O direito à vida só é respeitado se for a vida de direita”.

Quer saber mais?
Leia o artigo de Antonia Pellegrino e Manoela Miklos na Folha

Quer pressionar?
Pressione o Ministério da Justiça e da Segurança Pública e a Polícia Civil do Rio de Janeiro
https://twitter.com/PCERJ
https://twitter.com/JusticaGovBR

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.